Ok, eu concordo, o título é beeeem pretencioso - e egocêntrico, além de tudo! Esta só é a mais nova versão porque é a última em que pensei, mas não diz respeito ao resto do mundo (a menos que mais pessoas concordem comigo ao longo do texto, mas isso seria completamente inesperado já que só estou levando a minha opinião em conta nesta crônica... e para piorar, acabei de descobrir que isso que estou escrevendo é uma crônica!).
Queria também tranqüilizar alguns (e desapontar a maioria), mas vou começar de uma vez a escrever este texto e não posso prometer ser categórica demais... nem de menos...
Bem, há algum tempo, no meio de uma conversa, soltei uma frase de brincadeira, apenas para botar fim a uma séria e acalorada discussão sobre preconceito e suas diversas formas. A frase foi: “Eu tenho preconceito contra o amor!”. Bom, o resultado foi nova discussão, não mais sobre preconceito (já que todos - todos menos eu – concordaram que a frase era absurda, o que havia não era preconceito da minha parte, mas resoluções baseadas em experiências negativas sobre o tema em questão). A discussão rumou para as famosas dores de amor!
Certamente, não vou falar aqui a respeito de nenhuma das minhas experiências, menos ainda se as mesmas foram de fato negativas e, portanto, demonstrariam toda a minha “amargura” contida num grito de “revolta” tão “desesperado” como aquele. Basta dizer que meus colegas de debate, a princípio, não entenderam a frase. Eu , realmente, queria continuar a falar sobre conceitos e pré-conceitos.
Amor é conceito? Claro que sim, o mais reconstruído e permanente de todos! Quem já não falou sobre ele? Quem não lhe deu a sua própria versão? Quem nunca contribuiu com uma frase pra infinita coleção de figurinhas "AMAR É..."? Todos têm o seu próprio conceito sobre o que quer que seja esse tal de amor.
E isso é o mais engraçado, pois este conceito é sempre algo novo e inédito (como cada pessoa que passa pelo mundo)... Amor é um conceito que nasce com a pessoa que diz "Eu amo" e diz "Amor é..."
Mas amor é pelo outro, sempre... Aí é que está o problema. Amor exige amor. Mas como amar e exigir amor, se cada pessoa é diferente e, portanto, seu amor também é? Como entender o amor do outro? Ou a falta desse amor, por não se reconhecer esse outro no nosso conceito?
Na verdade, eu não tenho pré-conceito contra qualquer amor, pois tenho meu próprio conceito sobre o que eu chamo de amor... Mas tenho pré-conceitos contra todos os outros que falarem em amor no mundo! São os seus amores, os seus conceitos!!! Eu só posso ter alguma aproximação com eles (com vocês), nunca o entendimento que tenho sobre mim mesma, sobre o que eu sinto e nomeio.
No máximo tenho uma aproximação com vocês, pensando no conceito geral de amor (aquele com o qual todos vêm contribuindo desde que puseram esse sentimento numa palavra)...
Não é interessante? Existe aquilo que eu sinto e, por sentir sei que existe, e então chamo de amor. Existe também aquilo que cada outro ser no mundo sente e chama de amor . E, por fim, existe um conceito geral que não é propriamente o sentimento de ninguém, mas que todo mundo (pelo menos em português!) identifica com a nomeação AMOR e acha que é o mesmo o que o outro sente.
Mas não!
Esse conceito geral é construído e reconstruído a cada dia.
Se o conceito geral de amor fosse uma coisa, eu diria q é uma coisa AZUL indefinível ... Como se essa coisa fosse feita de um imenso espectro de diversos azuis na qual alguns verão pedacinhos que chamarão de verde, enquanto outros ainda veriam ali mesmo algum possível anil. Mas a coisa toda, o todo da coisa, nós ainda chamaremos de AZUL. Indefinível, mas AZUL.
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
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